Juan Uviedo era o filho mais novo de Eva Tereza Rasetto e Celestino Uviedo; foi temporão após quatro irmãs: Eva, Nilce, Gloria e Olga.

Desde cedo, escolheu a arte desde como forma de intervenção na vida social, tendo estudado na adolescência na Escola de Artes Manuel Belgrano, ligada ao museu de Belas Artes.
Trajetória no teatro
Muito jovem, Juan se tornou viajante. Circulou por diferentes países para conviver com artistas e coletivos experimentais, aprender com eles e também contribuir com suas próprias formulações. Produziu, ensinou, organizou oficinas e formou gerações de jovens artistas. Seu interesse estava no impacto: muitas vezes preferia que seus atos artísticos fossem comentados nas páginas policiais ou sociais dos jornais, e não nas seções de cultura. Defendia a demolição do “templo teatro” e a ocupação de outros espaços onde fosse possível envolver diretamente as pessoas.
Seu trabalho buscava romper cânones, questionar estruturas institucionais — religiosas, educacionais e políticas — e enfrentar modos de pensamento que produzem submissão e opressão. Para ele, o teatro não era um espaço de representação, mas uma ferramenta ativa de provocação e mobilização. Na década de 1960, atuou intensamente na Europa e nas Américas. Trabalhou e apresentou criações na União Soviética, onde foi premiado por suas contribuições ao teatro na Universidade Latino-Americana de Moscou, além de desenvolver projetos na Tchecoslováquia, França, Grécia, Espanha, Portugal e Itália.
Em 1961, integrou o elenco da Comedia Cordobesa em Numancia, adaptação de Rafael Alberti de El cerco de Numancia, de Miguel de Cervantes Saavedra, que, sob a direção de Jorge Petraglia, foi apresentada em Córdoba, San Miguel de Tucumán e Buenos Aires. Esteve vinculado ao grupo literário Publique, da Universidade do Litoral (Santa Fé), e integrou o comitê editorial do primeiro número da revista, no qual circulou seu poema, datado de 27 de março de 1961.
Em 1966, viajou à Espanha, onde produziu com grupos experimentais em Madri e Barcelona. Atuou para o Teatro Estudio de Madrid em Cuento para la hora de acostarse, de Sean O’Casey, dirigido e adaptado pelo ítalo-argentino Renzo Casali. Durante sua permanência em Madri, frequentava o boêmio Café Gijón, reduto de artistas e intelectuais, onde estabeleceu uma estreita amizade com o pintor Manuel Viola — integrante do grupo El Paso — e sua esposa.

De volta à Argentina, em janeiro de 1968, foi diretor e roteirista de Los esperapalomas, uma montagem polêmica apresentada no ciclo de verão do Centro de Investigações Audiovisuais do Instituto Di Tella, em Buenos Aires.


Alguns meses depois — novamente na Europa — integrou Bris Collage K, um espetáculo vanguardista amplamente divulgado, do diretor chileno Daniel Bohr, apresentado no IX Ciclo de Teatro Latino de Barcelona. Nesse mesmo ano, Tener una ventana — obra teatral que Uviedo afirmava ter escrito aos 17 anos — foi selecionada para o Prêmio Tirso de Molina; em 1970, a mesma obra seria aprovada pela rigorosa Junta de Avaliação Teatral para ser apresentada pelo grupo Zeta e, dois anos depois, sob a direção de Carlos Gil Zamora, foi muito bem recebida pela crítica e pelo público catalães.
O conturbado ano de 1968 foi encerrado com uma turnê pelos Estados Unidos junto ao elenco de Esta noche teatro, com o qual apresentou um repertório de cenas de autores espanhóis em seu idioma original, sob a direção do ator argentino Delfor Peralta.
No ano seguinte, 1969, voltou à Madri para dirigir o grupo Tábano em El juego de los dominantes, uma obra de criação coletiva. Conseguiram realizar três apresentações no Colegio Mayor Universitario San Juan Evangelista antes de a obra ser multada e proibida por tentar driblar o rígido controle da censura franquista. Em Barcelona, colaborou com os grupos organizados por Ricard Salvat como assistente de iluminação em Guadaña al Resucitado e em um seminário de direção teatral que culminou na apresentação de Casamento, de Witold Gombrowicz, na Escola de Arte Dramática Adriá Gual.
No início de 1970, foi convidado a dirigir o CITAC (Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra) em Portugal, um grupo teatral universitário pelo qual haviam passado dois diretores de prestígio: o argentino Víctor García e o catalão Ricard Salvat. Foi este último quem recomendou Juan Carlos Uviedo como seu sucessor, após ter sido expulso pela polícia política em maio de 1969.
Com o CITAC, Uviedo participou do Festival Internacional de Teatro Universitário de Parma com Macbeth… o que se passa na tua cabeça?, uma montagem que chamou a atenção da crítica italiana e foi apresentada em Portugal — Coimbra e Porto — e Itália — Pescara e Florença. No final de maio de 1970, a polícia política — em conivência com as autoridades universitárias — decidiu prender, torturar e expulsar o argentino do país, acusado de dirigir uma “escola de perversão”. O CITAC foi proibido e permaneceu fechado até a Revolução dos Cravos, em 1974 (leia mais sobre a passagem de Juan por Portugal aqui).

Nesse mesmo ano, foram publicadas em alemão suas obras Zeremonie in Maria e Herr Wilson. Rate mich, sonst fress ich dich. Symbiotisches Stück in drei Akten, que permanecem inéditas em espanhol.
Uviedo deixou o velho continente e se transferiu para os Estados Unidos, mais precisamente o circuito alternativo nova-iorquino. No mítico café La MaMa, montou Suicide in Alexandria. A ceremony within Federico García Lorca, baseado em texto da colombiana Nelly Vivas; em março de 1971, apresentou A Little History of the World com o grupo bilíngue do La MaMa e, meses depois, com o La MaMa Chinatown, realizou Coffins for Butterflies, uma versão de um drama antigo chinês. Com Che Guevara, montagem baseada no texto do dramaturgo italiano Mario Fratti, percorreu diferentes salas do off-off Broadway, já que cada apresentação terminava em escândalo e intervenção policial.
Apresentou ainda The Terrible Angels, do venezuelano Román Chalbaud, e Las manos de Dios, do guatemalteco-mexicano Carlos Solórzano. Em meados de 1972, no Festival de Teatro Latino-Americano de Porto Rico, Juan Uviedo dirigiu a companhia do La MaMa Nova York em El amor de la estanciera, versão de uma das primeiras peças do teatro argentino, e em El delirio de la virgen loca, baseada em textos de Rimbaud.
Em 1971, dirigiu o ato teatral Che Guevara em apoio ao Movimento dos Direitos Civis, envolvendo jovens marginalizados da sociedade norte-americana (afro-americanos, latinos e nativos). Durante a ação, o grupo ocupou quatro quarteirões ao redor de um edifício abandonado do New York Times.
Na Califórnia, morou junto com o Carlos Castañeda, na Universidade de Berkeley, onde os dois davam aula.

Em Nova York, participou da criação do Centro de Investigações Teatrais ao lado de Ellen Stewart, Peter Brook, Jerzy Grotowski e Tadeusz Kantor, com o objetivo de fundar oficinas em países da América Latina. Foi então que conheceu uma funcionária cultural guatemalteca, Eunice Castro, que o recomendou como consultor artístico na Guatemala, então governado por uma ditadura de extrema direita. Assumiu a direção da Comédia Nacional de Teatro e criou sua primeira companhia. Em 1972, dirigiu El infierno, montagem ao ar livre inspirada em A Divina Comédia.
Nesse país, conheceu aquela que seria sua companheira por anos, a cantora guatemalteca Ana María Quezada, que viria a ser depois mãe de sua filha Eva. A escalada da repressão militar levou a um ataque a tiros à sua residência, obrigando-o a buscar asilo na embaixada e, posteriormente, seguir para o México.
Em abril de 1972, chegou à Cidade do México junto com dois companheiros: Ana e o norte-americano Eddie Keegan.

No México, fundou o Grupo Ergónico, com jovens atores e estudantes, inicialmente sediado na Casa del Lago da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México). Nesse período, realizou oficinas e seminários de treinamento físico e formação teatral. Em julho de 1972, montou durante dois meses The Engels Family.
Posteriormente, estreouTu propiedad privada no es la mía, baseada no livro de Engels. Durante a encenação, Juan caminhava entre os atores e o público com um cinto na mão, como um chicote, ora atuando, ora lançando ordens ao grupo conforme a tensão do momento. As apresentações não tinham limite de tempo nem final estipulado; algumas chegaram a durar mais de três horas.

No final daquele ano, apresentaram Un teatro que surge de la peste, baseado em Artaud, na Primeira Mostra de Teatro Latino-Americano realizada no Distrito Federal. Uviedo e o grupo Ergónico obtiveram ampla repercussão na imprensa. Estavam ensaiando sua próxima montagem, Sonho de uma noite de verão, e um programa para a televisão mexicana quando, em 14 de março de 1973, Juan Carlos Uviedo foi sequestrado, torturado e expulso do México junto com outros diretores latino-americanos sob a alegação que a constituição mexicana proibia a participação de estrangeiros na política.

De volta à Argentina
Juan Uviedo voltou para a Argentina junto a Ana Quezada, grávida de sete meses — poucos dias após a vitória eleitoral do peronismo que permitiria seu terceiro mandato.
Juan nunca militou em partido político, mas identificava-se com a esquerda peronista e trabalhou com esse setor por meio da arte e da cultura. Atuou na Secretaria de Cultura de Santa Fé, desenvolvendo encontros e mostras de arte alternativa que o colocaram em confronto com a direita peronista, politicamente dominante na época. Se tornou funcionário do Instituto de Cultura do governo de Santa Fé (capital da província onde nasceu), onde organizou o Taller Laboratorio, com o qual remontou El amor de la estanciera.
No final de 1974, saiu em turnê com a companhia de Nuria Espert, que realizava uma turnê latino-americana com a bem-sucedida Yerma, de Federico García Lorca, dirigida por Víctor García.
Em 1975, apresentou Comunión, uma montagem de criação coletiva que apoiava o ingresso irrestrito de homossexuais na universidade. O escândalo que provocou lhe custou o cargo público. O secretário de cultura, da esquerda peronista e protetor de Juan, teve de renunciar.
O ponto mais tenso do conflito foi uma mostra da Escola de Arte Dramática de Santa Fé, dirigida por Juan no final de 1975. O pai de um dos estudantes era militar e, após o golpe militar de 1976, abriu um processo por “corrupção ideológica de menores”. Juan fugiu para Buenos Aires com sua família e alguns membros da oficina de Santa Fé.
No final daquele ano, durante o período mais repressivo da ditadura argentina, fundou o Taller de Investigación Teatrales (TiT) em Buenos Aires, frequentado por jovens — muitos deles militantes trotskistas — que ele formava a partir dos relatos de suas intensas experiências internacionais. O projeto fazia parte do processo de criação de oficinas em diferentes cidades latino-americanas. Começou em uma sociedade de bairro em La Lucila (Grande Buenos Aires) e, meses depois, mudou-se para a Sala Molière, na capital.
O TiT consolidou-se como um dos núcleos mais radicais de investigação teatral do período, articulando criação artística, reflexão política e ação direta em um contexto de forte repressão. Mais do que um grupo ou escola, o TiT funcionava como um espaço de formação e resistência, influenciando diversos coletivos e artistas que, mesmo fora do círculo direto de Juan, passaram a adotar práticas semelhantes de criação e organização.
Apresentou La Navaja en el sueño no Teatro Olimpia e, durante os ensaios de O Balcão, adaptação do romance de Jean Genet, Uviedo foi detido — acusado de porte de maconha — e encarcerado por um ano em Prisão de Las Flores, em Santa Fé. Durante o período de detenção, organizou os presos e atuou de forma solidária, conquistando respeito dentro do cárcere.

Em 31 de dezembro de 1978, já tendo saído da prisão, viajou para o Brasil, onde passou a atuar com grupos teatrais, estabelecendo contatos e parcerias, chegando a realizar algumas montagens no país, entre elas a polêmica Caixa de Cimento [1979], com Ruth Escobar.
Em seguida, retornou à Argentina e se estabeleceu na área rural da província de Santa Fé, onde alugou a antiga casa do zelador de uma estação de trem abandonada. Nesse período, trabalhava com atendimentos baseados em conhecimentos esotéricos desenvolvidos a partir de vivências e pesquisas realizadas ao longo de viagens pelo mundo. Ali iniciou uma comunidade alternativa, organizada de forma coletiva. Seguidores e alunos de outras partes da Argentina e também do Brasil passaram a se juntar a ele. O grupo, mesmo tentando passar desapercebido, acabou gerando polêmica no contexto rural da região.
Em 1981 Juan é ameaçado novamente com prisão e decide fugir definitivamente para o Brasil, onde passou a viver com documentos falsos até o fim da vida. Sua esposa Ana foi, junto com sua filha, a seu encontro meses depois.
São Tomé das Letras
Após meses vivendo de forma errante, de favor na casa de amigos e conhecidos em São Paulo, Juan e sua família se mudam para São Tomé das Letras, em Minas Gerais, onde se estabeleceu definitivamente e passou a desenvolver uma nova etapa de sua pesquisa, voltada ao autoconhecimento, à espiritualidade e ao trabalho comunitário.
Sobre sua chegada à cidade, Juan relatou:
“Cheguei a São Tomé das Letras e logo concluí que ali era a parada final. Sentei no alto de uma montanha e meditei por muito tempo, e tudo foi se aclarando. Percebi não só que aquele era o meu lugar, mas também qual era, de fato, a minha missão nesta vida: cuidar de crianças.”

Durante os primeiros anos, viveu na cidade, alugando uma pequena casa de pedra próxima à Pirâmide. Nesse período, escrevia e iniciou pequenas ações culturais, como criação e construção de uma Casa de Cultura. Sua atuação social, no entanto, passou a incomodar antigos políticos locais, e Juan começou a sofrer boicote em seus projetos. O Brasil atravessava os últimos anos da ditadura militar.
A Montanha do Juan
Tempos depois, Juan adquiriu um grande terreno no alto de um monte, no bairro do Cantagalo, no mesmo local onde havia se sentado ao chegar à cidade.

“O povo da cidade me olhava como se eu fosse bobo, porque todos diziam que ali não havia água. Pois bem: até hoje já encontrei cinco nascentes na montanha.”
A partir desse ponto, convenceu diversas pessoas — entre elas antigos integrantes de seus grupos teatrais argentinos — a se juntarem a ele naquele que entendia como um território escolhido. Inicialmente vivendo de forma precária, o grupo foi construindo casas, cozinhas coletivas e estruturas comunitárias, povoando gradualmente a Montanha.


Eventualmente, conseguia retornar clandestinamente à Argentina para realizar projetos pontuais, como a montagem A Última Ceia (1985) e participar do curta-metragem La eucaristía según Juan Uviedo (1988).
Ação social

Em São Tomé, fundou a Casa da Criança, que daria origem à Associação Comunitária Viva Criança, para oferecer abrigo, educação, atividades culturais e esportivas a crianças e jovens da região.
Como parte do projeto, criou também a Rádio Montanha das Letras FM, uma emissora de caráter comunitário e programação variada, que procurava atender as demandas de informação e entretenimento da população, com programas desenvolvidos e apresentados por moradores do município, além da ajuda de voluntários como médicos, professores, atletas, fonaudiólogos, e outros profissionais (leia mais aqui).
Juan Uviedo também foi figura decisiva se engajando em diversos projetos culturais, como a criação do Festival Woodgothic, oferecendo não apenas inspiração simbólica, mas apoio concreto para sua realização, viabilizando recursos para hospedagem, alimentação, passagens das bandas, além de espaços e infraestrutura para a primeira edição.
Ao longo de sua vida no Brasil, Juan Uviedo construiu também uma família ampliada. Teve outros filhos em Baependi e em São Tomé das Letras, além de ter adotado crianças que passaram a viver sob seus cuidados. Para além dos vínculos biológicos, assumiu uma posição ativa de responsabilidade afetiva, entendendo o cuidado como prática e compromisso.
Essa dimensão se estendeu aos projetos sociais que criou e sustentou ao longo dos anos. Por meio da Associação Comunitária Viva Criança e de outras iniciativas, Juan esteve envolvido na formação de muitas crianças e jovens da região, impactando de forma concreta a vida de diversas famílias.
Trabalho Terapêutico
Juan Uviedo reuniu pesquisas e experiências acumuladas ao longo de sua trajetória — saberes de povos originários, filosofia oriental, psicodrama, estudos sobre o cérebro e a mente humana, além de referências da cosmologia e da astrofísica — para desenvolver uma metodologia própria de análise e terapia, integrando esses conhecimentos a uma visão xamânica de mundo.

Em seus atendimentos individuais, utilizava ferramentas como Mapa Gestacional, Jogo de Pedras e a Reprogramação Cerebral. Também ministrava cursos e palestras abordando temas como dinâmica energética, mecânica celeste, e equilíbrio entre os elementos.
Juan se via como um sintetizador desses conhecimentos, e não como fundador de um método fechado. Recusava a ideia de sistematizar sua prática em manuais ou protocolos reproduzíveis. Defendia que cada pessoa que aprendesse com ele pudesse transformar o que recebeu em algo próprio, criando suas próprias formas de atuação com base no conhecimento adquirido.
Compartilhou sua experiência com terapeutas e estudiosos de diferentes áreas, mantendo sempre uma postura crítica, mas aberta à incorporação de novos saberes, especialmente aqueles provenientes de avanços científicos e tecnológicos.
Em São Tomé das Letras, tornou-se uma figura de referência local, frequentemente procurado para mediações de conflitos e orientação pessoal, passando a ser conhecido como “Dom Juan” ou “Juan da Montanha”.
Mesmo levando uma vida austera, realizava palestras e atendimentos em outras cidades, destinando quase integralmente os recursos obtidos ao trabalho comunitário.

Documentário: El Provocador
Em 2009, recebeu na montanha antigos companheiros e a equipe de filmagem Adoquín Video Digital para a realização do documentário El Provocador, filmado com o apoio do INCAA (Instituto de Cine e artes audiovisuais) de produção argentina. O filme registra entrevistas com Juan, amigos, personalidades e moradores do município, além de uma mostra teatral com gente da cidade dirigida por Juan (“Câmara Maluca”) e um ensaio na montanha, narrando sua trajetória, seu pensamento e sua relação com a comunidade local (saiba mais aqui).
Poucos dias depois do fim das filmagens, em 17 de novembro de 2009, Juan faleceu em sua casa, na montanha, e foi enterrado ali mesmo, em local escolhido conforme orientações que havia deixado escritas.

Legado
No campo do teatro, Juan Uviedo deixou um legado que não se organiza em obras fechadas ou métodos formalizados, mas em pessoas, práticas e modos de pensar. Sua influência se manifesta na persistência de um teatro que recusa a neutralidade, que se constrói coletivamente e que entende a criação artística como forma de intervenção ética e política no mundo.
Viajante por necessidade e escolha, Uviedo deixou marcas profundas nos lugares por onde passou — não apenas no campo artístico, mas nas formas de organização, consciência e vida coletiva. Sua trajetória atravessou o teatro, a ação política, o trabalho comunitário e a terapia como campos inseparáveis, unidos por uma mesma ética de intervenção direta na vida, na escuta do outro e na recusa a qualquer forma de domesticação do pensamento.

Reconhecimento póstumo
El Provocador – a mentira é a estratégia da verdade [2010]
O filme El Provocador estreou no dia 24 de novembro de 2010, no Cinema Gaumont, em Buenos Aires, como parte de uma mostra anual da DOCA (Associação de Documentaristas Argentinos). O documentário tem direção de Silva Maturana, Marcel Gonnet Wainmayer y Pablo Navarro Espejo e foi transmitido diversas vezes pela INCAA TV e foi selecionado para a 13ª edição do BAFICI (Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires) e para os festivais de cinema de Havana (2011), Trieste (2011) e Cine B Chile (2011).
La crónica de La Nación dijo:
“Juan Uviedo acepta definirse como profesor de teatro, aunque también ha sido actor, dramaturgo, psiquiatra mecenas, educador, autor de innumerables acciones vinculadas con el trabajo social….El título es el que debía ser: Provocador, transgresor, iconoclasta (un tipo incómodo) lo fue siempre. Provocar era su objetivo. Lo hizo durante mucho tiempo con su TIT, que llevó por todas partes e integró con gente de todos los orígenes, inspirándose en Artaud y Grotowski, pero también en sus experiencias con Peter Brook o con La Mamma. Era un líder natural y carismático que tenía la cualidad de unir a la gente a su alrededor (inclusive llegó a serlo entre los presos) como lo había sido entre los grupos de jóvenes que con su guía encontraron en el teatro un cauce para su militancia y un arma para convocar a la resistencia y combatir la dictadura…en arriesgadas intervenciones callejeras que muchas veces los llevaron a prisión, como el envenenamiento colectivo que fingieron en una plaza de San Pablo para llamar la atención sobre el estado en que vivían los argentinos bajo la dictadura, o el cortejo fúnebre con el que quisieron representar en plena Corrientes el sepelio de los desaparecidos. Hay en el film rico material sobre … Uviedo y sus discípulos … – entrevistas con él, testimonios, viejos films-, si bien a veces se percibe algún bache y algún desorden. Pero basta la riqueza del personaje… para justificar la visión del film”
Casa do Emprego e Renda Juan Uviedo [2012]
A Casa do Emprego e Renda Juan Uviedo de São Tomé das Letras (MG) foi batizada com seu nome em 2012, como forma de reconhecimento de sua atuação no campo social.


Prêmio Podestá [2014]
Em 2014, o Taller de Investigación Teatral (TiT), idealizado por Juan Uviedo durante os anos da ditadura argentina, recebeu um prêmio especial no Senado da Nação Argentina, no contexto da entrega dos Prêmios Podestá. A homenagem, concedida pela Associação Argentina de Atores em parceria com o Senado, reconheceu a trajetória do TiT como referência de militância e resistência cultural. O prêmio foi recebido por integrantes históricos do grupo e discípulos de Juan, que destacaram a continuidade de sua obra e de seu pensamento. Para os participantes, o reconhecimento teve um valor simbólico especial por tornar pública, décadas depois, uma prática artística que, em meio à repressão, ocupou ruas e espaços alternativos como forma de enfrentamento, consciência e ação coletiva.
Mostra Con la provocación de Juan Carlos Uviedo [2015]
A mostra Con la provocación de Juan Carlos Uviedo, com organização de Ana Longoni, reuniu arquivos e registros de sua obra e percurso no MUAC (Museu Universitário de Arte Contemporânea da Cidade do México) em 2015 (leia mais aqui).

Bibliografia / Créditos:
O presente texto foi construído – está sendo – a partir de fragmentos de informações encontradas em diversas fontes. Nem sempre foi possível encontrar a autoria das fotos; caso tenha direito sobre elas e queira ser creditado, por favor entre em contato.
https://tallerdeinvestigacionesteatrales.wordpress.com/titeanos-in-memoriam/juan-uviedo/ (originalmente no endereço https://taller-tit.000webhostapp.com/)
https://muac.unam.mx/exposicion/juan-carlos-uviedo?lang=en
https://badebec.unr.edu.ar/index.php/badebec/article/view/282/262